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sábado, 25 de novembro de 2017

DICAS PARA TREINOS DE SUBIDAS QUE PODEM SER UTILIZADAS TANTO NO TREINAMENTO "OUTDOOR" QUANTO NO "INDOOR" (Spinning®).

Fazer treinamentos em subidas é uma prática muito importante para a manutenção da força e da "performance" no ciclismo.
Ao contrário do que muitos imaginam, as técnicas abordadas para se incrementar  "performance" nas subidas são SIMPLES.
Vou deixar um link do Youtube aqui inicialmente para aqueles que desejarem acompanhar as dicas abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=9WO9Cut2nik

Perceba que normalmente quando ciclistas realizam subidas sentados no banco seus ombros estão sempre alinhados com o queixo, favorecendo o relaxamento e mobilidade das articulações dos MEMBROS SUPERIORES desde os ombros, cotovelos até as mãos.
Quando um ciclista trabalha afastando seus ombros do guidão através da extensão dos cotovelos e conseqüentemente aproximando seus ombros das orelhas o que percebemos é uma diminuição da mobilidade do tronco em função de um trabalho isométrico desnecessário das estruturas envolvidas no apoio do tronco sobre o guidão.



Convém LEMBRAR que exercícios ou trabalhos de isometria DEVEM SER EXECUTADOS apenas em posições SEM MOVIMENTOS.
E porque manter toda a estrutura dos MMSS "relaxadas" no ciclismo?
Quando o ciclista está escalando, quem carrega toda a estrutura para cima é o atleta. Ele carrega o seu peso e sua bicicleta.
Porém, a bicicleta não pode ser tirada do solo. Quando ela perde o contato com o solo ela perde a capacidade de deslocamento.
O ciclista sim.
Através de técnicas de movimentação em cima da bicicleta, o ciclista pode promover através do equilíbrio entre a fase ascendente e descendente dos pedais (ciclo completo da pedalada) melhor deslocamento em cima da sua bicicleta.
No ciclismo de estrada, perceba que quando o ciclista está pedalando EM PÉ o corpo se movimenta em cima da bicicleta para otimizar a aplicação da força nos pedais diminuindo a necessidade de hiper-extensão dos joelhos nos ciclos do pedal.
Quando o ciclista está pedalando em pé, perceba que seus ombros estarão sempre alinhados com o guidão.
Não vemos no ciclismo de estrada ciclistas fazendo subidas em pé com os glúteos lançados para a parte traseira da bicicleta.
No "indoor" muita gente realiza esse movimento erroneamente. Principalmente as mulheres.
ACREDITEM.
Ninguém ganha massa muscular nos "bumbuns" pedalando lá para trás da bicicleta.
Juro.
ACREDITEM.


No ciclismo "indoor", a bicicleta está estática, e para que ocorra o equilíbrio de forças entre a fase ascendente e descendente do pedal é necessário SIM que o aluno ou praticante desloque lateralmente seu corpo na pedalada como forma de otimizar o uso das sobrecargas aplicadas nos treinamentos.
Essa é a resposta para muitos que me perguntam porque eu me movimento tanto em cima da bicicleta de spinning® enquanto muitos realizam um pedal "duro", com os cotovelos hiper-estendidos, articulações rígidas e aplicação desnecessária de força em cima do guidão da bicicleta, quando na verdade o relaxamento precisa se fazer iminente e eminente.
E por último, percebam no vídeo anexo que quando os ciclistas no vídeo estão pedalando lado a lado e juntos, os dois estão pedalando com cadências diferentes.
Cada ciclista tem uma característica própria e cada um se adapta melhor com uma cadência.
Alguns preferem pedalar em cadências mais elevadas, outros não.
MAS NÃO SE ENGANEM.
Ciclistas treinam e muito em TODAS AS CADÊNCIAS. Eles sabem como ninguém como deslocar com eficiência uma bicicleta em todos os tipos de terrenos e inclinações.
Faça você o mesmo em seus treinamentos.
Experimente novas cadências e novas abordagens no seu pedal.

Convém lembrar que no treinamento “indoor” em bicicletas estacionárias aulas em grupo possuem alguma abordagem lúdica para facilitar com que os praticantes, na grande maioria não praticantes do ciclismo convencional, treinem com divertimento.
Se você mora em algum lugar onde as suas sessões de treinamento de ciclismo sejam prejudicadas em função de pouco acesso aos locais apropriados ( estradas e trilhas ) ou as temperaturas e o clima desfavoreçam um treinamento constante, utilizar bicicletas estacionarias podem contribuir significativamente com a manutenção de seu condicionamento, PORÉM, convém lembrar que as regulagens do equipamento devem se aproximar das utilizadas em suas bicicletas de estrada.

Observem o vídeo atentamente e nas suas próximas sessões de treinamentos e lembrem-se das dicas.
Quanto mais você estiver relaxado sobre os apoios do guidão mais sobrecargas você poderá utilizar nas propostas mais intensas.
Dúvidas sobre o texto?
Manda um "privado" que eu esclareço.
E se eu não conseguir responder, corro atrás da dúvida.

Grande abraço e até a próxima.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A HEGEMONIA ATUAL DA ALEMANHA NO IRONMAN DO HAWAII


A hegemonia atual alemã no Ironman do Hawaii vem sendo construída ao longo dos últimos 25 anos.
O primeiro alemão a subir no pódio havaiano foi o ex-nadador olímpico Wolfgang Dittrich, em 93, na 15a edição da prova.
Dittrich, o primeiro dos grandes ciclistas alemães do Ironman foi terceiro colocado nessa edição, tendo sido ultrapassado por Mark Allen e Pauli Kiuru ( Finlândia) ainda na primeira metade da maratona, após ter liderado a prova toda até então. Dittrich era um corredor mediano, mas uma grande inspiração para todos os triatletas naquela época.

Em 95 e 96 Thomas Hellriegel foi vice-campeão, perdendo nas duas vezes para excelentes corredores.
Em 95, Mark Allen tirou uma diferença de 14 minutos e ultrapassou Hellriegel na QueenK, no mesmo ponto onde no ano seguinte o alemão foi ultrapassado pelo belga Luc Van Lierde, estreante na prova e que estabeleceria naquele ano o recorde da prova que só seria batido 15 anos depois por Craig Alexander.
Em 97 Hellriegel investiu fortemente nos treinamentos de corrida, dosou as energias na etapa de ciclismo e enfim venceu a prova daquele ano.
Nesse mesmo ano o domínio alemão foi total, com Jurgen Zack em segundo e Lothar Leder em terceiro completando o pódio alemão.
Os alemães voltariam a vencer novamente nos anos de 2004 (Normann Stadler), 2005 (Faris Al Sultan) e 2006 (Normann Stadler).
Há quem afirme que se Stadler não tivesse os problemas mecânicos que o tiraram da prova em 2005 certamente o tricampeonato estaria garantido.
Após um longo jejum de vitória de seis anos de predomínio completamente australiano (Chris McCormack 2007 e 2010, Craig Alexander 2008,2009 e 2011 e Pete Jacobs 2012), os alemães voltaram a vencer nos últimos quatro anos.
Sebastian Kienle venceu em 2014, Jan Frodeno em 2015 e 2016 e Patrick Lange na última edição do último sábado, onde estabeleceu o novo recorde da prova com 8h01"40.
Desde a primeira edição em 1978, os Estados Unidos lideram o ranking com 20 vitórias (Dave Scott 6x, Mark Allen 6x, Scott Tinley 2x, Tim DeBoom 2x e Scott Molina, Gordon Hailer, Tom Warren e John Howard.
A Alemanha vem a seguir com 8 títulos, seguida da Austrália com 7 títulos.
Béiglca (Luc Van Lierde 2x e Frederick Van Lierde) e Canada (Peter Reid) vem a seguir com 3 títulos.
Portanto, em 41 edições da prova (em 82 a prova teve duas edições, saindo de Waikiki onde era realizada inicialmente passando para Kailua Kona), a hegemonia do triathlon Ironman pertence apenas a cinco países.

domingo, 15 de outubro de 2017

IRONMAN HAWAII 2017 - o relato de um entusiasta direto de sua poltrona em Santos.



O Ironman do Hawaii 2017 entra para a história como uma das mais emocionantes de todas as 39 edições da prova.
Seu protagonista maior, o alemão Patrick Lange, dono de um perfil carismático, quebrou todos as bancas de apostas que colocavam Jan Frodeno e Sebastian Kienle comoo os favoritos da prova e venceu com consistência pela primeira vez e, de quebra, ainda com o recorde mundial.
Debochado pelos seus conterrâneos no pódio no ano passado, Lange deu a volta por cima e ainda recebeu o abraço das duas maiores lendas do esporte na linha de chegada, os americanos Mark Allen e Dave Scott.
Desde a épica batalha na edição de 2010 entre Chris McCormack e Andreas Raelert, vencida por Macca, que não víamos na prova masculina uma batalha tão intensa.
Lange saiu para correr pouco mais de 11 minutos atrás dos líderes, após ter saído em 16º da água mas no pelotão agrupado e ter pedalado apenas o 12º (4h28, 16 minutos acima do recordista da prova, o austríaco Cameron Wurf, 17º ontem).
Correndo a maratona em 2h39"59, Lange simplesmente "amassou" todo o grupo que corria à sua frente. Um a um ele foi recuperando o tempo perdido até alcançar o líder até então, o canadense Lionel Sanders, que foi ultrapassado a pouco menos de 7 kms para a chegada.
Sanders não reagiu e deixou o caminho livre para o novo campeão mundial e recordista da prova.
O final ainda reservava outra surpresa. O britânico Dave McNamee ainda ultrapassou o alemão Sebastian Kienle para completar o pódio masculino dessa edição.
Incríveis 8h01"40 no "inferno" havaiano, que eu particularmente ainda não conheço.
No feminino, deu a lógica.
Atualmente a suíça Daniela Ryf não tem adversárias.
Mesmo enfrentando dificuldades de adaptação no pedal (segundo a mesma não estava entendendo o que estava se passando com seu corpo até o km150 do ciclismo), se manteve calma e esperou pacientemente que a prova começasse a funcionar para ela.
Nos últimos 20km de pedal Ryf simplesmente tirou os 5 minutos que a separava das líderes e ainda entregou a bike na frente para fazer uma das melhores corridas do dia e vencer com uma diferença de aproximadamente 7 minutos para a vice-campeã, a "rookie" britânica Lucy Charles. A australiana Sara Crowley completou o pódio.
Verdadeiramente uma prova onde os favoritos não se deram bem, essa edição do Ironman do Hawaii deixou algumas lições.
Foi uma edição onde quem trabalhou em silêncio durante o ano e sem muita performance midiática se deu bem.
Entre os BRASILEIROS, duas performances distintas e muito iguais no tempo final.
O Brasil coloca nessa edição do Ironman dois brasileiros entre os TOP 15 PRO MEN.
Thiago Vinhal foi o 13º com 8h27"24 e Igor Amorelli foi o 14º chegando dois segundos depois.
Igor optou por fazer uma prova performática (não no sentido ruim, mas no sentido de mostrar para a mídia que o Brasil tem um atleta muito forte e que ainda pode fazer bonito no Hawaii). Amorelli se manteve entre os líderes durante os primeiros 110 kms e durante algum tempo os olhos do mundo estiveram direcionados para a sua performance, mantendo-se na liderança por quase 10km até quase a chegada em Hawi, quando Kienle chegou no pelotão e assumiu a ponta junto com Sanders. O brasileiro acabou pagando o preço na corrida, com o tempo de 3h08"27 na maratona. Para ser top10 hoje no Hawaii é preciso correr abaixo de 2h50.
Vinhal optou por fazer sua estréia no Hawaii com uma performance mais consistente e equilibrada. Teve paciência para se manter entre os 25 primeiros do ciclismo e entregou a bike com uma diferença de 25 minutos para os líderes. Correndo a maratona em 2h55, foi recuperando terreno até figurar entre os top15 do mundo.
Reinaldo Colucci voltando ao Hawaii teve problemas na corrida, completando a maratona acima das 4h, finalizando a prova na 38º com o tempo de 9h38"30.
E fica a dica.
O IRONMAN se resolve mesmo é na corrida.
Sendo um bom ciclista e conseguindo se manter entre os líderes, certamente o bom corredor é que vencerá.
Fantástica mesmo foi a evolução do Ironmanlive.com, que desenvolveu aplicativos excelentes que deixaram nós, fãs da informação, loucos com todos os mecanismos de busca disponíveis para atualizarmos em tempo real a performance dos atletas.
O "tracker" disponibilizou tradução para a língua de origem do internauta, rastreadores individuais e um "passo a passo" dos líderes, tanto entre os profissionais quanto no Age Group,
Simplesmente sensacional.
Que venha 2018.
Alguém me leva pra lá para performar na informação ?

Créditos foto: Ana Lidia Borba (Flows Journal).

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

NATAÇÃO - TRAVESSIA DO RIO PARANÁ - 1982



O ano era o distante 1982 do século passado, e eu com 16 anos.
Pela primeira vez a Liga Santista de Esportes Aquáticos resolveu formar uma equipe da cidade para participarem da tradicional "Travessia do Rio Paraná", que acontecia anualmente na cidade de Panorama, divisa com o Mato Grosso, e que já iria para a sua 17a edição, sempre no feriado de 7 de setembro.

Naquela época não existiam "rankings" de Águas Abertas para se definir os 10 atletas que iriam representar a cidade, então os treinadores dos principais clubes ( Saldanha da Gama, Vasco da Gama, Regatas Santista, Internacional de Regatas, Santa Cecília ) resolveram classificar os atletas após uma prova a ser realizada entre o então recém construído Emissário Submarino até a Ilha Porchat.

Então, em um sábado, todos os atletas interessados se reuniram ali do lado esquerdo do Emissário. O circuito compreendia contornar o emissário e a Ilha Urubuqueçaba e seguir em direção à Ilha.
Sem bóias de orientação, sem salva-vidas, sem Bombeiros, sem resgate. Era cada um por si e com o consentimento prévio de cada pai envolvido na questão, já que todos eram ainda menores de idade.

Naquele dia, para piorar ainda mais as condições, quebravam ondas de bom tamanho no Quebra Mar. E lá fomos nós todos naquele desafio perturbador. Fosse hoje, evidentemente que ninguém autorizaria tamanha insanidade.

Fui 11o. Classificavam , repito, dez atletas.
Os atletas classificados teriam todas as despesas de viagem, acomodação e alimentação pagos pela Secretaria de Esportes de Santos.

Existiam alguns bons atletas de travessias de São Vicente ( José Renato Mosquito, Saulo Tadeu Appes e alguns outros ) que tinham muito interesse em participar e, não me recordo ao certo como foi conseguido nas tratativas, mas em casa chegou a informação de que se meus pais pagassem apenas a passagem, que acomodações e alimentação estariam garantidos.
Meu pai garantiu a passagem.

Ahh, a viagem. A viagem seria de trem, cruzando o estado, praticamente o dia inteiro de viagem. Saímos de Santos da Estação da Estrada de Ferro Sorocabana, ali na Ana Costa, em direção à Estação da Luz. Da Luz, outro trem em comboio até Panorama. No total, 19 horas de viagem.
O grupo era grande.
Os atletas do masculino e feminino representando a cidade, aproximadamente uns 10 atletas que pagavam suas viagens e um grupo grande de Salva-Vidas do Grupamento de Bombeiros que iriam também por sua conta competirem lá.

A viagem, naquele ano, foi conturbada. Nosso grupo ocupava exclusivamente o último vagão do trem, e os outros eram lotados de malucos que se dirigiam para Águas Claras, já que o evento do ano naqueles tempos era o "Festival de Águas Claras", que acontecia em Iacanga, perto de Bauru, e era uma espécie de "Woodstock" brasileiro.
E os bombeiros não aceitavam passivamente aquele cheiro insuportável de maconha que insistia em vir dos vagões da frente até que a trupe do rock desembarcasse em seu destino.

Enfim.
Após intermináveis 19 horas de viagem, lá estávamos todos nós em Panorama.
Me recordo como se fosse hoje os atletas da equipe santista sendo levados para uma escola, que serviria de "alojamento" para todos, enquanto nós, que havíamos pago nossas passagens, fomos levados para um hotel um pouco distante da cidade, cerca de 1,5km de lá.
Mas o hotel era espetacular para os confortos da época. Quartos confortáveis, excelentes refeições ( comia-se peixe fresco todos os dias ) , e tudo de graça.
Evidentemente que aquilo serviu de provocação para brincadeiras entre os atletas, e não perdíamos a oportunidade por nada.

Panorama era uma cidade minúscula, e os santistas já eram conhecidos por lá.
O paranaense Paulo Roberto dos Santos ( Paulo Paranaguá ) já havia vencido essa travessia dois anos antes, em 1980, em um trajeto de aproximadamente 2,5km, que saía do outro lado do rio e atravessava até as margens da cidade. Em 81, Paranaguá venceu a travessia longa que acontecia em outra época, em março, em um percurso de 22km.
Paulo era um dos grandes nadadores brasileiros à época e nadava no Clube de Regatas Vasco da Gama.

Não havia muito a fazer naquele lugar. Era acordar, se reunir para nadar no rio, que todo mundo se cagava de medo em função das histórias de piranhas que a população insistia em nos reforçar, almoçar, descansar, conversar e dormir.

No domingo, a Travessia. Éramos todos levados em um barco de um lado para o outro do rio, e não existia atracadouro. O barco encostava na margem e era cada um por si para descer do barco e aguardar a chegada de todos os atletas até a largada. A correnteza era imensa. Aquela travessia de 2,5km era feita em pouco mais de 10 minutos. De natação mesmo penso que fazíamos uns 700 ou 800 metros. O grande problema era acertar a correnteza para entrar no funil sem ser levado pela correnteza.
Muitos atletas favoritos perdiam a entrada e não se classificavam.
Fui quarto naquele ano. Ganhou o Jose Ricardo Dutra Dutra. Não me recordo ao certo o resto do pódio, mas só deu Saldanha aquela edição.
Depois, ainda fui no ano seguinte competir naquele lugar, e fiz terceiro.

Quem viveu aqueles tempos e aquele evento lembrará muito bem do que descrevo aqui.
Quanta saudades bate ao relembrar o passado.

Esse ano será realizada a sua 52a edição, e pela foto do barco que transporta os nadadores até a outra margem e que ilustra esse texto, percebe-se que pouca coisa mudou.
Que bom !!

Viva a natação !

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Problemas X Soluções: Motive-se para o Ironman Brasil que se aproxima.



Nooooossa !!!
Começo esse texto com essa exclamação porque 7h46min é a segunda marca mais rápida da história de um Ironman.
Essa marca foi estabelecida pelo canadense Brent McMahon no Ironman Brasil realizado em 2016 em Florianópolis.
O mais impressionante é que o canadense quebrou o recorde da prova em 7 minutos, que pertencia à Marino Vanhoenacker, estabelecido no ano anterior, em condições totalmente adversas, com chuva intensa durante todo o percurso do ciclismo e mar balançado.
Talvez a única contribuição do tempo tenha sido na etapa da corrida com a temperatura ideal para quebra de recorde.
Mas vamos ao que interessa.
Quero te provocar um pouco.
Evidentemente que toda provocação tem suas limitações e esse texto, apesar de ser direcionado para todo perfil de atleta, pode ser lido muito mais por amadores do que por profissionais.
7h46minutos.
Quem de nós não gostaria de ter acesso à todo o "schedule" da preparação de um atleta que completa um Ironman com essa marca?
Não, os atletas não abrem o jogo.
No máximo, é entre eles e seus treinadores. Muitas vezes, nem seus treinadores ficam sabendo de tudo o que acontece e apenas "acreditam" que tudo está sendo cumprido à risco, como determinado e combinado.
Então vamos lá.
Para se ultrapassar esse tão sonhado pórtico de chegada, seja o atleta amador ou profissional, é preciso o máximo de preparação física e mental. O máximo de dedicação física e mental.
É preciso evoluir.
É preciso abdicar, negociar, ceder, se entregar.
A diferença entre a composição do comprometimento mínimo e máximo será sempre o TEMPO FINAL e a QUALIDADE da prova de cada um.
ONDE, por exemplo, esteve você durante sua preparação às 7h46 minutos da manhã ou da noite nos dias programados para os seus treinamentos principais, aqueles que não podem ser perdidos, que são a chave para o processo de construção da sua performance esperada no dia da prova ?
QUANTOS treinamentos de 7h46min de DURAÇÃO ( ou mais ), por exemplo, você CUMPRIU dentro da sua programação dos treinamentos chave ?
ONDE você espera estar no percurso de sua próxima prova de Ironman quando o relógio bater 7h46min de prova ? No meio ou final do ciclismo ? No início da corrida ? Terminando a segunda volta ?
ONDE ? Você já pensou nisso ?
COMO você espera estar no percurso de sua prova quando o relógio bater 7h46min ?
Cansado mas feliz ?
De saco cheio ?
Pensativo que algo está dando errado ?
Pensativo que já faltou bem mais e agora é questão de se manter focado ?
Pensando nas sessões perdidas e que careceram de um pouco mais de dedicação da sua parte ?
Sorrindo como um VENCEDOR e pronto para o que se apresentar ainda pela frente ?
COMO ?
Será 7 o seu número mágico ou o seu fantasma ?
Estamos à 7 semanas da realização de um ( ou de mais um ) sonho POSSÍVEL.
Você precisa pegar todos os problemas diários que se apresentam dentro de uma programação tão complicada como a de um atleta de endurance e colocar na mesma caixinha de soluções que você queira dar para elas. A quantidade de soluções precisará ser sempre maior e delas dependerão o seu sucesso.
SETE semanas para o Ironman e provavelmente você já esteja enfrentando em sua programação os grandes volumes de treinamentos, com poucas sessões de descanso, e muita, mas muita vontade de desistir.
 Mas você não desistirá, porque resolver equações complicadas como essas é o que te move no esporte.
Portanto, meu amigo, conhecido, leitor, atleta, parente de atleta, que essa semana você possa reorganizar a sua energia vital mental e que suas sessões-chave ( os famosos longões ) não possam ser interrompidas por absolutamente nada.
Não deixe que o cansaço te impeça de treinar em um sábado ou domingo onde todos se divertem, porque Ironman pra você é uma grande diversão, ACIMA DE TUDO.
Não deixe que a chuva ou o frio te impeçam de treinar os treinos-chave, porque 7h46min foi conseguido embaixo de muita chuva.
Visualize desde já onde você deseja estar às 7h46min de prova do dia 28 de maio e lute para que essa visualização seja a mais próxima de seu desejo maior, a tão sonhada FINISH LINE.
Ninguém aqui falou que será fácil.
Mas se fosse fácil, você já teria escolhido algo maior.
Boas 7 próximas semanas de treinamento, Ironman.
Espero te ver sorrindo com a medalha no peito e com a sensação da MISSÃO CUMPRIDA.
You are an IRONMAN !!
Se tu chegou até aqui e curtiu, dá uma compartilhada. Pode ajudar no motivacional de alguém.

Clube de Regatas Saldanha da Gama, um sonho que acabou !



A época foi a primeira metade dá década de 70 do século passado.

Mamãe, dona Lourdes, levava todos os santos dias eu e minha irmã para a natação ( a mana desistiu cedo ) às 5 da manhã, no máximo 5h30.
Cinco dias por semana, durante o ano inteiro, 
SEM FÉRIAS, inclusive nas férias.

A piscina, do saudoso Clube de Regatas Saldanha da Gama, NÃO tinha aquecedores. Não tinha dosadores de cloro. Era na raça.
O zelador do clube, carinhosamente apelidado de "Baianinho", media o PH da água, buscava um galão gigantesco e despencava cloro na piscina até Deus dizer chega.
Às vezes Deus esquecia de dizer.
E a piscina era gelada.
Às seis da manhã, no inverno e no verão, era gelada. E tinha treino.
Às quatro da tarde, no inverno e no verão, era gelada. E tinha treino.
E tinha treino aos sábados.
E nossos treinadores, como aquecimento, faziam a equipe inteira correr do clube até o Canal 6, às vezes até o 5 ou o 4, e iam de moto pela avenida controlando quem "roubava" na distância.

Na água, normalmente, só pra aquecer a metragem já chegava em mil metros.
E quem nadasse provas de velocidade tinha um treino.
E quem nadasse provas de fundo tinha o MESMO treino.
E era gelada.
E enquanto fazíamos o item M do treino do Roberto Guerra, com vários sub itens colocados entre colchetes e parênteses ( que normalmente dava entre 2 e 3 mil só esse item ), ele ficava preenchendo manualmente as fichas de inscrição individual de alguma competição que estava por vir, lá na casinha ao lado da piscina.
E quem roubasse, ele sabia. Não era possível, mas ele sabia. Acho que foi ele quem inventou as câmeras de segurança, já naquela época.
Era impossível que ele soubesse que a gente roubava 200 metros em uma série de 3 mil, mas ele sabia.
Hoje somos muito amigos. Mas todos odiavam ele naquela época. (brincadeirinha... o Guerra foi um dos grandes treinadores do Saldanha ..depois vou acrescentar aqui sobre todos ).

E as pranchinhas onde a galera batia perna eram de madeira, muito diferentes dessas de EVA levinhas que existem hoje. Eram enormes e pesadas, e ficavam todas fincadas em um cano na altura certa para cada um pegar a sua.
É, tinha um buraquinho no alto da PRANCHINHA pra guardar ela.

Naquela época, treinador não pegava material para atleta.
Todos os SANTOS DIAS, ouvíamos a mesmíssima frase deles:
- Peguem todo o material ( palmares, boias, pranchinhas ).
No clube só existia a pranchinha.
Boia e palmares, cada um tinha o seu.
E não existiam fábricas de material esportivo como hoje.

As boinhas eram dois cilindros de isopor, unidas por um garrote igual aqueles de amarrar o braço pra levar injeção. E aquilo assava a perna.
E a água era gelada. Ardiam as assaduras.
Os palmares ? A gente ia nas oficinas de bairro que trabalhavam com acrílico e pedíamos pedaços que iam pro lixo. Levávamos pra casa, cortávamos o retângulo do tamanho da mão, fazíamos quatro furos com faca quente pra passar o mesmo garrote das boinhas e fixávamos com nós.
E éramos TODOS muito mais felizes do que hoje.
E a água era gelada, muito gelada.

E a gente fazia 60x100 pra nadar e descansar em 1'30 com 5 minutos de descanso a cada 20 tiros.
E tinha 40x25 com corrida ( e todo mundo queria nadar na raia 1 ou 8 ). E não podia subir pela escadinha.
E a água era gelada.
E a gente depois de crescer um pouco ia de ônibus pro clube. E o ônibus parava longe. E a gente pegava carona pra economizar o dinheiro do busão pra comer lanche na escola.
Cheguei até a pegar carona uma vez com o Pelé, o rei do futebol. 
JURO. 
Todo mundo sabe dessa história. Ganhei uma medalha dele, dos mil gols. Só foram feitas mil. Alguém me roubou essa medalha em casa. E eu sei quem foi. 
Mas até hoje não cobrei, achei melhor deixar pra lá. Coisas de família.

E a galera da equipe A chegava cedo no clube, pra jogar basquete antes do treino. E nosso time de basquete da natação era melhor que o time de basquete do clube. O treinador do Saldanha na época, Pinheiro Neto ( Zé Maria ), já falecido, convidava insistentemente a todos nós para jogarmos basquete. E a gente não aceitava.
Porque éramos todos da Natação.
E a água era gelada.

E existia Campeonato Santista de Natação, acreditem.
Participavam o Saldanha, o Vasco, O Regatas Santista, o Internacional, o Santa Cecilia, o Tumiarú, o Atlético Santista ( morto também ).
E existiam quatro ou cinco Torneios Preparação Regionais durante o ano.
E a competição era intensa.
E a água era SEMPRE gelada.

A primeira vez que fiz abaixo de 1 minuto no 100livre na minha vida foi com 14 anos. Na água gelada. Até os meus 18 anos ainda baixei mais 6 segundos do minuto. Hoje não pegaria nem final D em um campeonato com 54 segundos. Na minha época eu seria o melhor se não fossem todos os outros.
Paulo fazia 51, Dutra 52. Eu, 54.
Tudo na água gelada.

E depois das competições, ficávamos todos no clube. Normalmente as competições aconteciam nos clubes da Ponta da Praia. Quando era no Inter ou no Vasco, jogávamos "contra".
E todo mundo saía arrebentado do futebol.
Todos ralados.
E na segunda já estávamos lá , na piscina gelada, para mais uma semana de treinos.
Na água gelada.
Hoje a grande maioria está por aqui. Somos todos amigos virtuais.
Naquela época éramos todos amigos reais.
Havia muita rivalidade entre os clubes. Mas éramos todos amigos.
Porque existiam também os Jogos Regionais.
Os Jogos Abertos.
As cidades não contratavam atletas. Éramos nós mesmos a defender as cores da nossa cidade.
Aquele casaco pesado azul com uma listra vermelha e outra branca e o nome SANTOS estampado nas costas.
Aquilo era a maior premiação de um atleta naqueles tempos.
Todos queriam competir Regionais e Abertos.
Eram em outras cidades, em outras piscinas.
Todas geladas.

Já próximo dos meus 20 anos, o Saldanha já não era mais o mesmo. Eu era praticamente o último da minha geração, porque todos que ainda nadavam ali tinham quatro ou cinco anos menos do que eu. Num fatídico desentendimento entre o clube e o treinador do Saldanha na época, todo mundo resolveu ir para o Santa Cecília.
Naquela época a água já era ( mais ou menos ) aquecida.

Ficamos no Saldanha eu ( que já treinava muito pouco ), o Dutra e a Renata Agondi. Depois não ficou ninguém.
Dutra e Renata eram namorados.
Perdemos a Renata para o mar que ela tanto amava.
E essa história todo mundo que nadou em Santos conhece, infelizmente.
Renata virou livro.

Existem ainda outras muitas histórias que poderiam ser contadas por aqui. De nossos tantos carnavais que dormíamos na casa do Sr. Dutra, pai do Zé Ricardo, bem atrás do clube. Das sorvetadas, das viagens de amistosos em outras cidades, de todas as amizades.

Mas eu quis ser breve apenas para tentar fazer meus amigos daquele tempo voltarem um pouquinho ao passado e se sentirem vivos dentro desse relato.
Será que consegui ?

A foto que ilustra o "post" é da piscina do extinto Clube de Regatas Saldanha da Gama.
Já não existe mais.
Um novo Saldanha da Gama surgiu naquele lugar.
A modernidade não permite saudosismos exagerados.
Eu, que esperava que surgisse uma nova e suntuosa piscina, fui pego de surpresa ao saber que as tradições não foram mantidas e a piscina construída nem 25 metros tem. E com apenas duas raias.

Obrigado, Saldanha, por tudo de bom que me ofereceu no passado, mas é hora de dizer Adeus.

domingo, 9 de abril de 2017

RESTAM SETE SEMANAS ATÉ O IRONMAN BRASIL.



7 semanas para o Ironman Brasil em Florianópolis.

Hora dos "big ones", os longões onde os atletas treinam suas resistências física e mental.
Treinos de ciclismo de seis, sete horas.
Corridas de três, quatro horas.
Treinos longos de natação no mar.
Treinos combinados de até oito horas.
Enquanto você estiver dormindo, eles estarão treinando.
Enquanto você estiver se divertindo, eles estarão treinando.


Então, quando cruzar com um triatleta nas estradas ou trilhas dá vida, RESPEITE A TRIBO.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

LONG DISTANCE CIA DE EVENTOS - Meio Ironman de Pirassununga




O atleta do time SMAERun Marco Cyrino competiu no último dia 02 em Pirassununga em uma prova na distância de meio Ironman, como preparação para seu grande objetivo no primeiro semestre desse ano, o Ironman Brasil, que acontece no final de maio em Florianópolis.

Marcão terminou a prova com pouco mais de 6h e foi o terceiro colocado em sua faixa etária.

Segundo seu relato, nadou um pouco pior do que o tempo estimado, pedalou firme mas sem forçar demasiadamente e fez a melhor corrida da categoria, o que lhe proporcionou um pódio, motivo de orgulho para esse "coach" aqui que escreve.



A atleta Andrea Crescenzo, em sua primeira participação em uma prova nessa distância obteve um excelente resultado , faturando ainda um excelente quarto lugar em sua faixa etária. Andrea é atleta da Márcia Proença Assessoria Esportiva.

Parabéns aos santistas que representaram com orgulho nossa cidade em Pirassununga.





domingo, 2 de abril de 2017

OITO SEMANAS PARA O IRONMAN BRASIL.



Oito semanas para o Ironman Brasil.
Para alguns atletas cinco, para outros seis semanas de volumes máximos em busca de melhoria da performance, seja ela em quaisquer níveis de aptidão dos envolvidos.
Mas fazer o quê com esses volumes exagerados nessas semanas? Quais os parâmetros e informações que seu treinador tem para incrementar cargas ( volume e intensidade ) nesse último ciclo de preparação?
Optei por definir ao longo das 24 semanas de preparação de meus atletas dois testes iniciais ( um laboratorial de performance, com determinação de limiares para iniciar o ciclo ) e um de campo, ondem​ estabeleci a primeira projeção dos tempos possíveis para a prova alvo (IM Brasil). Mais uma prova teste antes das últimas oito semanas para realinhar os objetivos, mas estabelecendo PREVIAMENTE as médias horárias possíveis para cada atleta maximizar sua performance geral.
Não acredito em incremento de performance em treinamento sem um padrão inicial no início do ciclo através de testes. Não é incrementando volume que o atleta chegará no seu objetivo, mas sim "treinando dentro do treino".

Quer saber mais ?

quinta-feira, 23 de março de 2017

BICICLETA ESTACIONÁRIA X ROLO FIXO X TREINO DE RUA



PERGUNTAS AO COACH: . ✔ Eu posso utilizar rolo fixo, solto ou bicicleta estacionária em minhas sessões de treinamento? ✔ Bicicletas estacionárias ou rolo fixo ou solto podem substituir os treinos específicos? ✔ Quando eu devo acrescentar os treinos indoor nas minhas rotinas de treinos? ✔ As informações de potência, velocidade e cadência das bicicletas estacionárias são exatas iguais aos medidores de potência específicos para bikes de competição? . Confundiu tudo aí na cabecinha? . ®: Você sempre poderá utilizar equipamentos acessórios em suas sessões de treinamento, mas no caso do ciclismo as bicicletas estacionárias e rolos serão apenas auxiliares em sua preparação, jamais substituindo o treinamento "outdoor". Irão contribuir, evidentemente, pois existem fatores que muitas vezes o atleta não pode descartar, como principalmente as intempéries de clima, mas jamais substituir. Utilize esses acessórios principalmente quando você precisar realizar o ciclismo como uma modalidade secundária em um treinamento de transição, onde o objetivo principal seja o incremento na qualidade da corrida após o ciclismo. Tome muito cuidado com as longas sessões "indoor", principalmente em função do ar condicionado e da umidade do ar inadequadas. Ao contrário do que possam imaginar, o treinamento "indoor" pode ser muito mais perigoso para a sua imunidade do que se possa imaginar. . BONS TREINOS.